Uso de patinetes e motos elétricas por jovens acende alerta no trânsito em Campo Novo do Parecis

O que deveria ser apenas um trajeto rotineiro entre a casa e a escola tem se transformado em motivo de preocupação em Campo Novo do Parecis. A popularização dos patinetes e das pequenas motocicletas elétricas — conhecidas como “tinidinhos” ou “scooters” — tem alterado a dinâmica do trânsito e acendido um alerta para os riscos causados pela imprudência e falta de preparo de crianças e adolescentes.

Apesar de serem vistos como alternativas práticas e modernas de locomoção, esses veículos têm sido conduzidos, na maioria das vezes, por jovens sem qualquer tipo de orientação ou conhecimento das normas básicas de trânsito. O comportamento imprudente, aliado à inexperiência, aumenta significativamente o risco de acidentes.

Um dos principais perigos está no chamado “fator invisibilidade”. Ao trafegarem entre veículos maiores, como caminhonetes e caminhões, comuns na região, muitos jovens ignoram a existência de pontos cegos, colocando-se em locais onde simplesmente não são vistos pelos motoristas. A prática de “costurar” entre carros potencializa ainda mais o risco de colisões.

Outra situação recorrente é o uso das calçadas como rota alternativa para fugir do fluxo das vias. A atitude expõe pedestres — especialmente idosos, crianças e pessoas com mobilidade reduzida — ao risco de atropelamentos, já que esses espaços são destinados exclusivamente à circulação segura de pessoas.

O desrespeito às regras de trânsito também se manifesta no tráfego em contramão, prática adotada por alguns adolescentes na tentativa de encurtar caminhos. A conduta reduz drasticamente o tempo de reação e aumenta a probabilidade de acidentes graves.

O problema não se limita aos horários escolares. Nos fins de semana e períodos de lazer, a circulação desses veículos continua intensa, muitas vezes sem qualquer supervisão de adultos. O uso de fones de ouvido e celulares durante a condução agrava ainda mais a situação, reduzindo a atenção e a percepção de riscos.

Outro fator preocupante é o funcionamento silencioso dos veículos elétricos. Diferente das motocicletas convencionais, eles não emitem ruído, o que dificulta que outros condutores e pedestres percebam sua aproximação, aumentando o risco de colisões, especialmente em cruzamentos.

A vulnerabilidade dos condutores também é um ponto crítico. Sem qualquer proteção estrutural, como a de um automóvel, esses jovens utilizam apenas o próprio corpo como proteção em caso de queda ou impacto. A ausência de equipamentos de segurança, como capacete, agrava ainda mais as consequências.

“Muitos pais acreditam que, por ser elétrico e pequeno, o risco é menor. Mas uma queda a 30 km/h sem capacete pode ser fatal ou deixar sequelas irreversíveis. O asfalto não perdoa a falta de experiência”, alerta um agente de trânsito.

Além dos riscos aos próprios condutores, a imprudência pode causar prejuízos a terceiros. Manobras bruscas obrigam motoristas a desviarem repentinamente, aumentando a possibilidade de acidentes em cadeia. Danos materiais e o impacto psicológico em condutores envolvidos em ocorrências com menores também são fatores que preocupam.

Diante desse cenário, cresce a necessidade de conscientização, orientação e responsabilidade por parte das famílias e da sociedade, para evitar que a praticidade desses veículos continue sendo acompanhada por riscos cada vez maiores no trânsito do município.

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