Com o objetivo de ampliar o debate sobre a participação feminina na política e o combate à violência política de gênero, o Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT) realizou uma reunião com partidos políticos, nesta sexta-feira (05.12). O encontro, realizado virtualmente, contou com mais de 60 participantes e reforçou a importância de os representantes partidários(as) incentivarem as candidaturas femininas e a respeitarem as regras eleitorais que regem a inclusão de mulheres na disputa política.
A abertura foi feita pelo secretário Judiciário do TRE-MT, Carlos Luanga Ribeiro Lima, que também fez a mediação do evento. “Em nome da presidente, desembargadora Serly Marcondes Alves, que não pôde participar por compromissos previamente agendados, agradeço a presença de todos e todas. Não é a primeira vez que a discussão ocorre, mas é a primeira vez no formato bate-papo virtual. E é fundamental que ocorra para que o direito ao sufrágio evolua da forma mais democrática e transparente possível. Temos muito ainda a avançar, mas o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) deu um salto com a aprovação das regras de financiamento de campanha, por exemplo. Esperamos que os partidos políticos se sensibilizem e atuem no sentido de assegurar, cada vez mais, a participação das mulheres nas disputas eleitorais”.
O evento contou com três expositoras e um expositor. A oficial de justiça do Tribunal Regional do Trabalho de Mato Grosso (TRT-MT) e ativista de movimentos sociais, Juscileide Rondon, foi a primeira a falar, com o tema “Desafios à participação política feminina”. Ela destacou que só se pode falar em uma sociedade democrática quando houver uma participação efetiva das chamadas “minorias”. “Temos hoje um modelo de sociedade baseado na meritocracia, ao invés da solidariedade, e a cooperação ficou um pouco para trás. Tendo uma sociedade mais colaborativa, teríamos a mulher com um espaço maior. Vemos, por exemplo, que países nórdicos têm uma participação maior das mulheres. O Brasil ocupa a 132ª posição no ranking de igualdade da participação feminina na política”.
Ela também ressaltou que a dupla e, às vezes, tripla jornada na vida das mulheres, deve ser considerada. “Estamos sempre tentando conciliar as funções que nos são impostas, por isso, a questão econômica é também um impeditivo quando se fala em candidaturas femininas. Além disso, enfrentamos uma hostilidade institucional, que deve ser enfrentada, o que depende, principalmente, de uma mudança cultural da nossa sociedade, que é patriarcal”, acrescentou.

