Pesquisadores da Universidade do Estado de Mato Grosso (UNEMAT) e da Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ) divulgaram um estudo detalhado sobre a qualidade do ar em 15 municípios mato-grossenses, apontando que Campo Novo do Parecis ultrapassou, em diversos momentos, os limites de segurança estabelecidos por órgãos de saúde.
A análise, realizada com base em dados coletados entre 2018 e 2022, revelou que o município, assim como as demais cidades monitoradas, excedeu os tetos diários de Material Particulado (MP2,5) preconizados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA).
O foco da pesquisa foi o MP2,5, uma partícula extremamente fina que, devido ao seu tamanho reduzido, consegue atingir as vias respiratórias inferiores, pulmões e alvéolos, podendo causar infecções agudas, asma e, a longo prazo, até câncer. Em Campo Novo do Parecis, o estudo identificou dias em que a qualidade do ar foi classificada como inadequada, superando a concentração de 25 microgramas por metro cúbico.
O levantamento aponta que o mês de setembro é o período mais crítico para a poluição atmosférica na região, coincidindo com a temporada de secas e o aumento das queimadas, enquanto dezembro costuma registrar os menores índices.
A pesquisa estabeleceu uma correlação direta entre os altos níveis de poluentes e o aumento de óbitos por doenças respiratórias, cardiovasculares e neoplasias no estado. Crianças e idosos foram identificados como os grupos de maior risco, apresentando sintomas imediatos após a exposição prolongada ao ar poluído.
Segundo os autores, a intensificação da atividade agrícola, o crescimento econômico e o aumento da frota de veículos são os principais fatores que contribuem para a emissão dessas partículas nocivas em Campo Novo do Parecis e no entorno.
Diante dos resultados, o relatório científico destaca a necessidade urgente de implementação de medidas eficazes para o monitoramento contínuo da qualidade do ar no município.
Os pesquisadores reforçam que os dados podem subsidiar políticas públicas e ações preventivas voltadas à saúde humana, visando mitigar os impactos das transformações ambientais causadas pelo desmatamento e pelo uso do fogo na vegetação.
O estudo conclui que a proteção da saúde pública depende de estratégias de controle de poluição mais rígidas para garantir a qualidade de vida nas regiões de expansão industrial e pecuária.

