Auditores-Fiscais do Trabalho resgataram 35 trabalhadores que estavam em situação análoga à escravidão em uma fazenda produtora de algodão localizada na zona rural de Campo Novo do Parecis. A operação teve início no dia 8 de junho e foi concluída nesta sexta-feira (12).
Segundo a fiscalização, os trabalhadores, oriundos de municípios do interior de Minas Gerais, haviam sido contratados para realizar o controle manual de plantas daninhas na lavoura. Durante as inspeções, foram constatadas diversas irregularidades consideradas graves, envolvendo condições degradantes de trabalho, moradia inadequada e restrições à liberdade dos empregados.
De acordo com os auditores, os trabalhadores estavam alojados em contêineres de aproximadamente 14 metros quadrados, onde chegavam a permanecer até nove pessoas. Os alojamentos ficavam em uma área cercada por grades e arame farpado, sob monitoramento constante.
A fiscalização também identificou exposição frequente a agrotóxicos. Trabalhadores relataram que aeronaves realizavam pulverizações nas lavouras enquanto eles permaneciam em atividade, além de aplicações ocorridas nas proximidades dos alojamentos. Entre os sintomas relatados estavam náuseas, falta de ar, irritações e queimaduras na pele.
Outras irregularidades apontadas incluem falta de equipamentos de proteção individual (EPIs), banheiros em condições precárias de higiene, ausência de sanitários nas áreas de trabalho, fornecimento inadequado de água potável e inexistência de locais apropriados para alimentação durante a jornada.
Ainda conforme a equipe de fiscalização, representantes da empresa teriam dificultado o acesso dos auditores ao local onde os trabalhadores estavam alojados e atuavam, atrasando o início das inspeções.
Os trabalhadores foram resgatados e receberão o atendimento previsto pela legislação trabalhista. O caso deverá resultar na adoção de medidas administrativas e judiciais pelos órgãos competentes.

